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ESPECIALCARNAVAL DE VENEZA 2026: A MAGIA DO ANONIMATO
As festividades do Carnaval na cidade das gondolas, neste ano, celebra os jogos olímpicos de inverno em Milão-Cortina com um tema que entrelaça história, arte e esporte, uma intrigante homenagem ao poder universal da brincadeira e da folia do anonimato
Por LUIZ FRANÇA (*) |
Olimpo – Nas Origens do Jogo, tema do carnaval de Veneza em 2026, é uma inspiração que remete à mitologia e à harmonia entre corpo e mente, mas também à Veneza de séculos passados, onde o Carnaval era um grande palco para competições, exibições acrobáticas e provas de habilidade coletiva, antecipando o espírito dos jogos olímpicos modernos. Das forças de Hércules às acrobacias, das regatas aos torneios nas ruas e praças, a cidade lagunar sempre soube transformar a competição em espetáculo e o desafio em celebração.
Neste ano, enquanto a Itália sedia os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina, Veneza protagoniza como um espelho e um ponto de referência para os valores que unem as pessoas: lealdade, paixão, coragem e inclusão, uma história coletiva onde as limitações se tornam forças e a diversidade se torna valores. Ao longo do evento, o Venice Carnival Street Show anima as ruas e praças de Veneza, levando a celebração a todos os cantos da cidade. Os desfiles de carros alegóricos alegóricos retornaram — de Dese a Chirignago, de Pellestrina ao Lido, de Marghera a Burano, Campalto, Mestre e Zelarino.
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A programação também contempla grandes eventos tradicionais: a Commedia Dell'Arte com comediantes internacionais, o Baile Oficial em Ca' Vendramin Calergi, as 12 Marias, eventos culturais, música jovem no Arsenale e Forte Marghera, e os Carnavais do Mundo na Piazza di San Marco, onde culturas e costumes se misturam em uma única celebração. A programação completa e todas as curiosidades de Olimpo – As Origens do Jogo pode ser consultada no site oficial www.carnevale.venezia.it |
O ANONIMATO DAS MÁSCARAS O IA do Google diz o seguinte: O Carnaval de Veneza teve sua origem oficial no século XI, por volta de 1094, quando o Doge Vitale Falier mencionou o termo pela primeira vez em um documento oficial. A festa surgiu como um período de liberdade social antes da Quaresma cristã, fundamentada na ideia de que "uma vez por ano é lícito 'enlouquecer' e se divertir". Pontos fundamentais: 1) - O uso de máscaras e trajes luxuosos permitia que nobres e plebeus se misturassem de forma anônima. Isso derrubava as barreiras sociais rígidas da época, permitindo que todos se divertissem sem julgamentos ou distinção de classe. 2)- Commedia dell'Arte: No século XVI, as festividades foram influenciadas pelo teatro popular italiano, incorporando personagens icônicos como Arlequim, Colombina e Pierrot nas fantasias. 3)- Auge e Proibição: A festa atingiu seu esplendor no século XVIII, atraindo a aristocracia europeia para bailes extravagantes. Porém, em 1797, Napoleão Bonaparte proibiu o Carnaval e o uso de máscaras para evitar conspirações e manter o controle sobre a cidade ocupada. O evento como conhecemos hoje só foi retomado oficialmente em 1979, quando o governo italiano e artesãos locais decidiram reviver a tradição para impulsionar a cultura e o turismo de Veneza.
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FESTA DELLE MARIE A Festa delle Marie – relançada em 1999 – retorna como protagonista do Carnaval de Veneza 2026, pronta para emocionar e envolver dezenas de jovens da região do Vêneto em uma experiência única, capaz de unir memória e sonho. Em janeiro passado, nos elegantes salões da Scuola Grande San Giovanni Evangelista, um júri local selecionou 12 candidatas, dentre as quais será escolhida a sucessora de Elena Sofia Cesca (foto abaixo na gondola), a Maria do Carnaval de 2025. Como manda a tradição, as candidatas se apresentam com vestes inspiradas nas obras-primas do pintor Ticiano. Maria do Ano 2026 será apresentada ao público no dia 17 de fevereiro, na Piazza di San Marco. A festa é uma das celebrações mais antigas da República de Veneza e começou como um evento popular, no qual o povo desempenhava um papel central. Suas origens remontam ao início do século IX. Diz a lenda que em 2 de fevereiro, dia da Purificação de Maria, doze jovens mulheres, símbolos de toda a cidade, recebiam uma bênção nupcial na igreja de San Pietro di Castello. O Estado e as famílias patrícias contribuíam para seus dotes, que eram guardados em preciosas caixas de madeira chamadas Arcelle. O festival tinha um forte significado social: incentivava os casamentos, apoiava as famílias menos abastadas e fortalecia os laços entre o povo comum e a nobreza. O Doge, juntamente com as autoridades, comparecia à cerimônia e acompanhava as noivas até San Marco, oferecendo-lhes presentes e um banquete no Palácio Ducal. As verdadeiras protagonistas eram as jovens mulheres, que simbolizavam o futuro da cidade.
PORTO DAS DONZELAS Segundo a tradição, durante uma dessas cerimônias — em 844 ou 946 — um grupo de piratas dálmatas sequestrou as moças e seus dotes. O Doge liderou pessoalmente a perseguição, e os venezianos conseguiram libertá-las perto de Caorle, em um local que desde então é conhecido como o Porto das Donzelas. Como sinal de gratidão, os casseleri, artesãos que construíram a arcelle, pediram que o Doge visitasse a Igreja de Santa Maria Formosa todos os anos, dando origem a uma tradição que perdurou por séculos, acompanhada de celebrações populares, regatas e ritos simbólicos. Com o tempo, porém, o significado original da festa se perdeu: a partir do século XIV, as jovens noivas foram substituídas por figuras de madeira pintadas, as Marie de tola, muitas vezes alvo de ridículo popular. Após séculos de declínio e abandono, a Festa delle Marie foi relançada em 1999 pele historiador Bruno Tosi, voltando a ser um dos eventos mais queridos e emblemáticos do Carnaval de Veneza. |
(*) Fonte consulta (texto e fotos), espaço para a imprensa do site oficial www.carnevale.venezia.it |
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